Quinta-feira, 21 de Junho de 2007

Pés na Terra, Olhos no Céu -Corpos celestes a descobrir no céu de Novembro e Dezembro

Nestes dias de Novembro e Dezembro, o Triângulo de Verão desaparece a Oeste enquanto que a Leste se ergue Orion. À direita de Cepheus, a rainha da Etiópia, Cassiopeia, torna-se um “M” acima da Polar e um pouco mais acima encontramos Andromeda e Perseus. Olhando para a constelação de Cepheus podemos ver m Cep. Trata-se da famosa “Estrela Granada” de William Herschel, uma supergigante vermelha cuja cor, bastante avermelhada, pode ser apreciada utilizando um pequeno telescópio. Uma outra estrela bastante famosa é d Cep, uma gigante amarela que dá nome às variáveis cefeidas. O brilho desta estrela varia com um período de aproximadamente 130 horas. As variáveis cefeidas são de extrema importância na determinação de distâncias de objectos astronómicos “remotos” tais como galáxias: por um lado, são extremamente luminosas o que as torna bastante visíveis (numa vizinhança de até 4 Mpc*) e, por outro, existe uma relação directa entre a luminosidade média da estrela e o período de variação dessa luminosidade. Assim sendo, ao medir o período de uma cefeida é possível determinar a sua luminosidade e, utilizando o seu brilho aparente, podemos determinar a sua distância à Terra. Aplicando esta relação de período-luminosidade às cefeidas de outras galáxias podemos determinar a distância que nos separa das mesmas. Na constelação de Andromeda, encontramos o sistema estelar g And (Almach ou Alamak). Trata-se de uma tripla física em que é possível resolver com pequenos telescópios duas das suas componentes: a mais brilhante, amarela, e a companheira, azul, mostram um belo contraste de cores. Também em Andromeda podemos encontrar o objecto mais longínquo (2,9 milhões anos luz) que é possível observar a olho nú; trata-se do M31, a galáxia de Andromeda. Com boas condições de observação, aparece como uma mancha de luz esbatida e com a ajuda de uns binóculos podemos distinguir a sua forma espiralada. A leste de Andromeda encontramos na constelação de Perseus, mas muito próximo de Cassiopeia, dois enxames abertos muito próximos, o NGC 869 e o NGC 884 (por vezes referido como enxame duplo). Os enxames abertos, ao contrário dos globulares que se encontram no halo, estão concentrados no plano galáctico, e são constituídos por estrelas jovens e ricas em metais. Ainda em Perseus podemos encontrar b Per (Algol) denominada também “Estrela do Demónio” (na mitologia associada à cabeça da Medusa). Trata-se do primeiro binário eclipsante a ser estudado e que por isso dá nome às variáveis ou binários Algol. Nestes binários, a estrela mais massiva encontra-se ainda na sequência principal enquanto que a sua companheira, menos massiva, já se encontra numa fase evolutiva posterior. Este facto constitui o chamado “Paradoxo de Algol” uma vez que, de acordo com a teoria da evolução estelar, estrelas mais massivas evoluem mais rapidamente. O paradoxo é explicado em termos de transferência de massa: a estrela menos massiva teria inicialmente a maior parte da massa evoluindo, por isso, mais rapidamente. À medida que a estrela mais massiva expande, perde grande parte da sua massa inicial para a sua companheira, acabando assim por se tornar uma subgigante de baixa massa, enquanto que a sua companheira, agora mais massiva, ainda se encontra na sequência principal. Apesar destas noites cada vez mais longas e frias, a chuva limpa o céu de poeiras e fumos em suspensão, aumentando a sua transparência e permitindo que estes objectos se apresentem em todo o seu esplendor. *O parsec (pc), contracção no inglês de “parallax second”, é definido como a distância a que uma estrela deve estar para que a sua paralaxe anual seja um segundo de arco. Desta forma, uma estrela com uma paralaxe anual de “p” segundos de arco estará a uma distância “d” tal que d = 1/p pc. Um megaparsec (Mpc) corresponde a 106 pc, isto é 3,26164x106 anos-luz (a.l.)

 

publicado por Energias comVida às 15:06
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